ARTIGO – Clube grande nem sempre é o melhor caminho para o desenvolvimento do atleta

Por Eduardo Araújo
O ingresso em um clube de grande expressão no futebol profissional é, com frequência, percebido como sinônimo de sucesso e consolidação da carreira esportiva. No entanto, essa associação nem sempre se confirma na prática. Ao longo da minha análise sobre os processos de formação e transição de atletas das categorias de base para o futebol profissional, observo que estar em um grande clube não garante, necessariamente, oportunidades reais de desenvolvimento.
Atualmente, os grandes clubes brasileiros realizam investimentos significativos em suas categorias de base, tanto em infraestrutura quanto em captação e formação de talentos. Apesar disso, o número de atletas efetivamente aproveitados no elenco profissional é reduzido. Esse fenômeno ocorre, em grande parte, porque essas equipes já contam com jogadores experientes e consolidados, além de frequentemente recorrerem ao mercado para reforçar seus elencos, o que diminui o espaço destinado aos atletas formados internamente.
Em um cenário ideal, um grande clube deveria conseguir formar, anualmente, entre oito e dez atletas com condições técnicas e competitivas para integrar o time principal. Contudo, a elevada pressão por resultados imediatos faz com que as comissões técnicas priorizem atletas mais experientes, considerados prontos para responder às exigências do alto rendimento. Como consequência, os jovens atletas acabam tendo pouca minutagem, o que compromete sua evolução e cria um gargalo no processo de desenvolvimento esportivo.
Diante desse contexto, a escolha por um clube de menor expressão não deve ser automaticamente interpretada como um retrocesso na carreira. Pelo contrário, esses clubes podem oferecer maior sequência de jogos, exposição competitiva e vivência profissional, fatores essenciais para o amadurecimento técnico, físico e psicológico do atleta.
Assim, defendo que a tomada de decisão na carreira esportiva deve ser pautada por uma análise criteriosa do momento individual do atleta, considerando suas necessidades imediatas, perspectivas de crescimento e possibilidades reais de atuação. Descartar oportunidades em clubes menores, seja por meio de empréstimo ou transferência definitiva, pode significar abrir mão de um ambiente mais propício ao desenvolvimento contínuo e sustentável da carreira.








