Zagueiro canhoto com faro de gol é destaque no sub-17 do Coimbra FC Porto

Havia algo diferente no zagueiro de 17 anos que entrou em campo na estreia do Campeonato Mineiro Sub-17 pelo Coimbra FC Porto. A altura de 1,92m chamava atenção, a canhota também. Mas o que ficou registrado naquela partida foi o placar. João Pedro Carvalho Rosas, o João Rosas, marcou dois gols contra o Inter de Minas na estreia e avisou que havia chegado para ocupar espaço.
Chegar até ali, no entanto, não foi simples. E é exatamente essa história que vale ser contada.
João nasceu em Lauro de Freitas, cidade da região metropolitana de Salvador, e começou a jogar futebol aos oito anos, em escolinhas e projetos sociais da Bahia. A trajetória inicial passou pelo Bahia/BA, em 2020, e seguiu pelo SSA FC, clube de Salvador, em 2022, onde como atleta sub-15 chamou a atenção pela leitura de jogo e pela capacidade física incomum para a idade.

JOIA PRECOCE
Três jogos pelo sub-20 do SSA foram suficientes para que o Cruzeiro/MG percebesse que havia algo ali que merecia atenção. Em 2023, foi para a Raposa.
Foi uma mudança de vida. João deixou Lauro de Freitas, deixou a família na Bahia e foi para Belo Horizonte ainda jovem, ciente de que o futebol exigiria esse preço antes de qualquer recompensa. O ambiente de alto nível do Cruzeiro acelerou seu desenvolvimento como zagueiro e preparou o terreno para o próximo passo.
Em março de 2026, uma nova oportunidade bateu à porta. O Coimbra FC Porto, também de Minas Gerais, demonstrou interesse e fechou um contrato de três anos com o atleta, válido até abril de 2029. Para João, era mais um sinal de que o processo estava no caminho certo.
A estreia no Campeonato Mineiro Sub-17 veio logo em seguida e não poderia ter sido mais expressiva. Dois gols na primeira partida, somados a uma assistência ao longo das três rodadas disputadas até aqui na competição. Números que, vindos de um zagueiro de 17 anos em seu primeiro mês no clube, dizem muito sobre o perfil do atleta.
BOM MENINO
Fora do campo, João carrega uma rotina que exige maturidade além da idade. Distante da família, ele aprendeu cedo a lidar com a distância e com a responsabilidade de gerir a própria vida. A fé é a âncora dessa rotina.
Oração e música gospel fazem parte da preparação mental antes dos jogos e dos treinos. Os estudos caminham em paralelo, sem atrito com a rotina esportiva. E o apoio da família, mesmo à distância, segue sendo presença constante.
“Desde sempre estão junto comigo, me apoiando e incentivando todos os dias”, conta o jovem defensor.
O trabalho físico específico de funcionalidade e agilidade é o que ele considera essencial para sua evolução como zagueiro. A perna esquerda, dominante, é um diferencial numa posição em que a maioria dos atletas é destra. A altura de 1,92m completa o conjunto de atributos que faz o Coimbra FC Porto acreditar que este zagueiro tem futuro longo pela frente.

As referências que ele carrega também revelam o tipo de jogador que quer se tornar. Thiago Silva, pela liderança e pela resiliência, foi a inspiração que o acompanhou desde o início.
Cristiano Ronaldo, pela disciplina, é o ídolo que molda sua mentalidade de trabalho. Dois nomes que, por caminhos diferentes, ensinam a mesma coisa: não existe topo sem consistência.
“Ser resiliente e ter foco no propósito. Porque o desafio maior é muito mais fora do campo”, responde João quando perguntado sobre o que diria a um garoto que sonha em ser jogador de futebol.
Quem o viu aos oito anos chutando bola em Lauro de Freitas talvez não imaginasse que, menos de uma década depois, esse mesmo menino estaria assinando contrato em Minas Gerais e estreando com dois gols no Campeonato Mineiro. Mas João Rosas sempre acreditou e tem consciência que a jornada está apenas começando.








