Michael Souza chega ao Minas Boca e emenda duas vitórias sem sofrer gols no sub-17

Duas partidas, duas vitórias, nenhum gol sofrido. É esse o retrospecto de Michael Souza à frente do sub-17 do Minas Boca/MG desde que assumiu o comando da equipe, há três semanas, na divisão de acesso do Campeonato Mineiro. Sob o comando do novo treinador, o time venceu por um jogo por 5 a 0 e outro por 3 a 0, sendo o resultado mais recente justamente contra o Democrata/SL, rival da cidade.
A arrancada colocou o Minas Boca na segunda posição do Grupo B, com sete pontos em quatro jogos, o ataque mais positivo da chave, com 10 gols marcados, e a segunda defesa menos vazada, com apenas 3 sofridos. Dos 10 gols da campanha, 8 saíram sob o comando de Michael Souza, que também ainda não sofreu nenhum nos dois jogos à frente da equipe.
“Esse volume de jogo se dá ao meu modelo ofensivo, de muita intensidade, pressão na bola e jogo apoiado coletivo. Com gatilhos de roubada de bola em zonas específicas, transitamos com muitas peças e chegamos ao gol adversário muitas vezes em superioridade numérica”, explica o treinador sobre a identidade que vem implementando no elenco.
No elenco do Minas Boca, dois nomes aparecem como peças centrais do momento da equipe. Kauan, camisa 10, é descrito pelo treinador como o jogador de “muita qualidade de passe, remate e visão de jogo”. Lucas, o Pelé, camisa 11, é o extremo de velocidade que desequilibra pelo um contra um e dá profundidade às transições.
Ambos aparecem ao lado do volante Lucas Ribeiro e do centroavante Fillipe entre os atletas que já despertam atenção dentro da estrutura do clube, formado majoritariamente por jogadores vindos de outras regiões do país.

HISTÓRIA INSPIRADORA
A entrada como técnico principal do sub-17 aconteceu por indicação de um amigo que hoje trabalha em São João Del Rei. Antes disso, a trajetória de Michael Souza começou de forma simples, em 2012, quando passou a ajudar informalmente os treinos de uma escolinha em Divinópolis, motivado pelo interesse do próprio irmão pelo futebol. Assumiu ali o sub-15 como voluntário e, anos depois, coordenou as categorias sub-13 e sub-15 de uma franquia do América/MG na mesma cidade.
Em 2018, já com a vontade de tocar um projeto próprio, abriu uma franquia do América/MG em Bocaiúva, cidade onde tem raízes familiares, com pouco mais de 1.000 reais no bolso e um pequeno limite de cartão para comprar o material inicial, enquanto ainda cursava o segundo período de educação física. O projeto fechou durante a pandemia, em 2020, e Michael Souza ficou sem trabalho até retomar a escola em agosto de 2021.
A partir dali, buscou o alto rendimento. Comandou o sub-17 do Guarani de Divinópolis/MG, com 85% de aproveitamento entre amistosos e competições da categoria, e teve uma passagem pelo Formiga/MG, onde estreou a equipe no Campeonato Mineiro Módulo 2 da categoria com quatro vitórias e um empate em cinco jogos, quase 90% de aproveitamento.
Depois desse período, priorizou a formação intelectual. Concluiu a Licença A da CBF em 2025, já com a B e a C também em mãos, investiu cerca de 100 mil reais em capacitação ao longo do processo e se dedicou de forma mais estruturada ao circuito de técnicos.
Como referência nessa caminhada, ele cita nomes ligados ao desenvolvimento de atletas e a um estilo de jogo propositivo e dominante, caso de Alex Ferguson, Arsène Wenger, Jürgen Klopp e Telê Santana.

PROTAGONISMO
Para o restante da temporada, a meta é clara. “Meu objetivo é sempre ser protagonista nas competições. Se estou no Minas Boca, o Minas será protagonista. Desde a última partida já estamos criando confiança e pensando que podemos sim brigar por acesso e quem sabe o título”, projeta o treinador, que também enxerga o clube como uma ponte consolidada para atletas rumo às principais competições de base do país.
A trajetória recente carrega um peso pessoal para Michael Souza. Há oito anos, chegou a Bocaiúva sem formação superior e sem dinheiro, morando de favor, com o objetivo de transformar vidas através do futebol. Hoje é casado, pai de um filho de 5 anos, formado em educação física e com um trabalho de oito anos que tem ganhado cada vez mais respeito e o aponta para um futuro promissor no futebol brasileiro.






