Com 15 jogos e 12 participações em gols, Tiago Torres conquista status de destaque no Ituano

Ele tem 17 anos, mede 1,85m, pesa 77 kg,  joga de centroavante e já soma 10 gols e duas assistências em 15 partidas nesta temporada. Mas o que chama atenção em Tiago Torres de Sousa Passos, o Torres, camisa 9 das categorias sub-17 do Ituano/SP não é só a artilharia. É a forma tranquila e madura com que ele fala da própria trajetória, sempre citando a família, a fé e o trabalho diário como pilares de tudo o que construiu até aqui.

A história de Torres com o futebol começou como a de tantos meninos brasileiros: brincando na rua, por pura diversão. A diferença é que, desde cedo, ele teve ao lado uma referência constante, o próprio pai, que também jogou nas categorias de base do Corinthians.

Foi esse acompanhamento próximo que sustentou o jovem nos momentos de dúvida, que, segundo ele, praticamente não existiram.

De Barueri ao Corinthians, até chegar a Itu

A trajetória nos clubes começou no Oeste, de Barueri, quando Torres tinha 11 anos. Aos 14, seguiu para o Corinthians, onde permaneceu por uma temporada, antes de chegar ao Ituano, clube em que hoje vive o momento mais importante da carreira até aqui.

Foto: Agência Corinthians

Para o atacante, histórias como a dele reforçam um ponto que considera essencial no futebol de base brasileiro: a importância dos clubes fora do eixo dos grandes centros. “Clubes menores são muito importantes e são muito humanizados para o nosso desenvolvimento como atleta”, avalia.

Nesta temporada, ele disputa o Campeonato Paulista Sub-17 e tem atuado também pelo sub-20. São 12 jogos na categoria principal da idade dele e mais três pelo sub-20, totalizando 15 partidas, 10 gols e duas assistências, números que o credenciam como uma das principais referências ofensivas da base do Ituano.

O momento mais marcante da temporada, segundo ele, veio justamente em uma daquelas primeiras oportunidades no sub-20: a estreia contra o Tanabi, quando contribuiu com um gol e uma assistência na vitória da equipe. Mesmo satisfeito com a evolução, o atacante mantém os pés no chão quando o assunto é autocrítica: “Sempre temos que melhorar, nunca vai estar bom”, diz.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Entre as conquistas, ele destaca o título da Copa Conectafoot Sub-15, ainda no início de passagem pelo clube, torneio preparatório que carrega um significado especial justamente por ter vindo logo após sua chegada ao Ituano. Prêmios individuais e convocações para seleções ainda não vieram, mas Torres encara com naturalidade: “Creio que virão. E o fato de estar com o grupo do sub-20 já é um reconhecimento, algo muito especial para mim.”

Do alojamento à sala de aula

A vida de quem representa duas categorias ao mesmo tempo exige uma rotina apertada. Nos dias de sub-20, Torres acorda às 6h30, se apresenta ao clube às 7h10, passa pela academia e treina até as 11h. Já no sub-17, a apresentação é à tarde, às 13h, com academia e treino até as 15h30, depois, o caminho é o alojamento, o jantar e a escola, onde cursa o terceiro ano do ensino médio.

É no alojamento, de segunda a sábado, que mora hoje, uma mudança que ele descreve como decisiva para o próprio desempenho. “Foi uma experiência nova e muito importante para o meu desempenho até hoje. Minha família é muito presente, então consegui lidar super bem”, afirma. O contato diário por vídeo com os pais, logo após a chegada da escola, ajuda a equilibrar a saudade de casa com a rotina do futebol.

Entre os hábitos que considera essenciais para a evolução dentro de campo, cita as corridas de manhã ou à tarde, dependendo do turno de treino e uma disciplina construída também fora do gramado: alimentação acompanhada por nutricionista do clube e ao menos sete horas de sono por noite, sem celular por perto na hora de dormir.

Fé e família como base de tudo

Se hoje existe o Torres brigador, de bom jogo aéreo e presença de área, como ele mesmo se define em campo, é porque por trás existe uma estrutura emocional bem definida. A fé aparece como parte central da rotina: momentos de oração e louvor fazem parte do dia a dia do atacante, assim como o apoio constante da família, que ele descreve como “100% presente” em cada etapa da carreira, com o pai à frente de toda a logística.

Torres com o seu maior exemplo, seu pai Roberto – Foto: Arquivo Pessoal

Fora de campo, o plano é seguir os estudos até o fim do ensino médio e, quem sabe no futuro, cursar fisioterapia, caso o futebol, hoje prioridade absoluta, abra espaço para outros planos.

Para o restante da temporada, o objetivo é claro: chegar à decisão do Paulista e conquistar o título. “Será incrível se chegarmos à final e sermos campeões. Pensamento positivo sempre”, projeta.

Confira lances do atleta:

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