Clubes aprovam redução gradual de estrangeiros no Brasileirão

Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram nesta segunda-feira, 21 de setembro, em reunião realizada no Rio de Janeiro, a proposta da Confederação Brasileira de Futebol para reduzir de forma gradual o número máximo de jogadores estrangeiros relacionados por partida. A decisão foi tomada na quarta reunião entre a entidade e os clubes dentro do processo de reestruturação do futebol brasileiro.
Com as mudanças, a CBF busca ampliar as oportunidades para jogadores formados nas categorias de base brasileiras, tema diretamente ligado ao trabalho de desenvolvimento de jovens talentos que o Portal Brazuca acompanha em todo o país.
A votação não foi unânime. Flamengo (RJ) e Bahia (BA) votaram contra na Série A, enquanto Londrina (PR) foi o único voto contrário na Série B. Os demais clubes das duas divisões aprovaram a proposta.
Atualmente, cada equipe pode relacionar até nove atletas estrangeiros por jogo. Pela regra aprovada, o limite cai para oito em 2027 e segue diminuindo de forma progressiva, um estrangeiro a menos por temporada, até chegar a cinco em 2030. A transição foi desenhada para não impactar de imediato os clubes que já possuem contratos firmados com jogadores de fora do país.
“A medida que propomos agora mantém um número importante de estrangeiros, entendemos a importância do estrangeiro no futebol brasileiro, mas, tanto com a redução do limite de estrangeiros, quanto com alterações no molde de inscrição de atletas na competição, tentamos dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times, principalmente no médio e longo prazo”, disse o diretor executivo da CBF, Helder Melillo.
A proposta teve origem em um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores, apresentado dentro do Grupo de Trabalho da Base Brasileira. A entidade também apresentou um argumento econômico para sustentar a mudança. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% da receita brasileira com transferências de jogadores para o exterior, percentual muito acima do observado nas ligas europeias na mesma faixa etária, o que reforça a tese de que reter e desenvolver talentos da base representa também vantagem financeira para os clubes.
A CBF apresentou ainda dados sobre o uso de estrangeiros na competição. Em 2026, foram utilizados 172 atletas de fora do país no futebol brasileiro, 15 a mais do que na temporada anterior. Na Série A, jogadores sub-23 responderam por apenas 13,8% dos minutos disputados em 2026, percentual inferior ao das cinco principais ligas europeias analisadas pela entidade, casos de França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%).
O levantamento mostra ainda que, entre 2020 e 2026, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos nos minutos disputados na Série A saltou de 7,8% para 25%, enquanto a presença de brasileiros sub-23 caiu de 28,3% para 11,5% no mesmo período. Segundo a CBF, o movimento se intensificou a partir de 2023, quando o limite de estrangeiros por partida foi ampliado para sete jogadores.
Outro indicador citado pela entidade foi a idade média dos elencos do Brasileirão, hoje em 28,5 anos, número superior ao de outras ligas nacionais de referência, casos de Espanha (27 anos), França (26 anos) e Itália (26,1 anos).
Além da redução no limite por partida, os clubes aprovaram uma mudança nas regras de inscrição de atletas na competição. A partir de 2027, cada equipe poderá registrar até 50 jogadores no Campeonato Brasileiro, sendo que pelo menos 20 deles precisam ter até 23 anos. A exigência também será implementada de forma gradual, com previsão de que, em 2030, os elencos tenham 25 vagas livres e outras 25 reservadas a atletas sub-23.








