Com 25 participações em gols na temporada, Enzo Nogueira se destaca no Coimbra/MG

Antes de aprender a andar direito, Enzo Nogueira Cruz já mostrava intimidade com a bola de futebol. A história é contada pelos pais: com pouco mais de um ano, ainda tropeçando nos próprios passos, já mandava a bola longe, com uma força que destoava do tamanho. Foi o primeiro sinal de que aquele menino de Belo Horizonte ia gostar de futebol e gostar mesmo, do tipo que vira rotina de vida.
Aos três anos, veio a primeira escolinha, a do América, categoria sub-5. Dali, o futebol simplesmente não saiu mais do caminho de Nogueira, como é conhecido dentro de campo. Hoje, aos 13, ele é ponta-direita canhoto do sub-14 do Coimbra, veste a camisa 7 e carrega uma trajetória que, como a de tantos meninos de base, teve mais curvas do que reta.
Depois de passar por peneiras, escolinhas de bairro e times como Cruzeiro e Pitangui, Nogueira chegou ao Atlético Mineiro em 2021. Foram três anos e meio de Galo no peito, títulos importantes, dois campeonatos da Imef e uma Copa do Brasil em 2022, ano em que, jogando pelo clube, marcou o gol que decidiu a final contra o América e a sensação, ainda menino, de estar no lugar certo.

Até que veio a fratura.
Em março de 2024, Nogueira quebrou a clavícula. Ficou no departamento médico até junho, voltou aos treinos em julho, mas o espaço que ele deixou em campo não foi mais o mesmo que encontrou ao retornar.
Foi ali, aos 12 anos, que o sonho balançou pela primeira vez de forma séria.
Não desistiu. Entre janeiro e agosto de 2025, ele voltou para a escolinha Méritos em Belo Horizonte, não como recuo, mas como reconstrução. A aposta deu certo: foi ali, em campo, que um captador do Coimbra o observou e o convidou para um teste.
Em setembro de 2025, Nogueira vestiu a camisa do clube pela primeira vez.
Passar a integrar a base do clube significou reorganizar a vida inteira: 60 quilômetros de deslocamento por dia entre Belo Horizonte e o centro de treinamento, rotina que começa às 6h e só termina à noite, entre academia, treino técnico, escola e, em dois dias da semana, preparação física extra.

Um dia comum de Nogueira é assim: acorda às 6h, chega ao clube às 7h, treina entre 9h e 10h30, com academia intercalada, às vezes antes, às vezes depois. Volta para casa por volta do meio-dia, almoça, toma banho e vai para a escola. Às segundas, ainda faz preparação física; às terças e quintas, personal.
NÚMEROS RELEVANTES
Na temporada, disputando o Campeonato Mineiro pelo sub-14 do Coimbra, Nogueira soma 14 jogos, 15 gols e 10 assistências. O jogo que mais lhe marcou no ano foi contra o Cruzeiro: vitória por 1 a 0, gol dele, de falta, cobrada bem de longe.

O currículo de artilharias impressiona pela quantidade: Copa Hípica, Copa Ouro, Copa Brasil, Dani Cup, Campeonato Interno do Méritos, Copa BH, além do título de craque da final da Copa Ouro em 2025.
No Coimbra, os primeiros vice-campeonatos já vieram: Copa União e Copa Voltaço, ambas prata, ainda neste ano.
SUPORTE ESPECIAL
Se o campo mostra os números, é fora dele que se entende o que sustenta a trajetória. Antes de cada jogo, Nogueira tem um ritual simples: reza e conversa com o pai, Gilmar.
Em casa, quem organiza a logística entre escola e futebol é a mãe, Vanessa, que precisou deixar o trabalho para acompanhar os treinos do filho de perto.
“Enzo começou o futebol desde os 3 anos de idade e até hoje está nesse processo. Sempre muito dedicado e responsável. Hoje vejo ele bem mais maduro pra enfrentar esse processo”, diz Vanessa, sobre a mudança que observou no filho desde a chegada ao Coimbra.

A parceria entre família e escola também aparece na rotina: quando uma viagem de competição atravessa o calendário letivo, é a mãe quem busca as atividades para que ele as faça depois. Na escola, cursando o oitavo ano, matemática é a matéria favorita de Nogueira e, fora do futebol, é em educação física que ele pensa como possível caminho de formação.
Nos raros momentos de folga, a vida volta a ser a de um garoto de 13 anos: soltar pipa, ouvir música, ir ao sítio com a família.
Ídolo declarado, Cristiano Ronaldo é citado por Nogueira não pelo talento, mas pelo que representa: foco. É essa palavra que ele repete quando fala do que quer entregar nesta temporada, ser artilheiro do campeonato e manter o nível de rendimento que vem sustentando ao longo do ano.







