Conheça Luan Cardoso, volante que é aposta na base do Cruzeiro

Na casa da família Cardoso, em Belo Horizonte, a notícia veio sem cerimônia. Os pais e os representantes de Luan explicaram que o Cruzeiro queria assinar o primeiro contrato profissional do volante de 17 anos. Estavam todos ali, na sala de casa. “Foi muito bom saber que meu esforço estava valendo a pena”, conta o atleta.
No dia 1º de setembro deste ano, ele assinou. O vínculo vai até 31 de julho de 2029. Depois da assinatura, a família saiu para almoçar. A comemoração continuou com os avós, tios e primos. Entre os primeiros a saber da novidade estavam os amigos que, nas palavras dele, “estão na torcida desde o início”.

Para Luan, o contrato tem um significado especial por ter sido com o Cruzeiro: “Foi o clube que me acolheu e me deu oportunidades desde pequeno.”
Do futsal da escola ao Cruzeiro
A história com a bola começou aos 4 anos e longe dos gramados. Luan começou no futsal da escola, jogando ao lado de meninos mais velhos, e logo integrou a equipe do colégio. Aos 8 anos, chegou ao Cruzeiro.
A porta se abriu por uma indicação, a de Guilherme. O garoto foi fazer um teste com o treinador Bebeto, que não deixou os pais esperando: avisou que ele já jogaria no dia seguinte.
Dos 8 aos 12 anos, Luan passou pelas mãos de técnicos como Bebeto, André, Klebinho, Marcelão e Diego, e é assim que ele define aquele período.

Os anos de resiliência
Aos 12 anos, o caminho seguiu para o Atlético Mineiro, onde Luan ficou até os 15. Foi lá que conquistou o Brasileirinho de 2022, seu primeiro título de destaque na base. O atleta resume o período em duas palavras: “aprendizado e resiliência”.
E resiliência foi necessária. Em determinado momento, as coisas pareciam não se encaixar. Ele foi dispensado de uma equipe e não foi aprovado em outra. Mesmo assim, garante que nunca pensou em desistir.
A virada veio com a volta ao Cruzeiro. Luan passou duas semanas em período de testes com o sub-16 e foi aprovado pelo professor Wendel. A lembrança do dia da aprovação é de “alívio e grande felicidade”. Em 2025, já de volta ao clube, levantou a Copa M2 Sub-16.
Nesta segunda passagem, não houve grande dificuldade de adaptação. Luan está na própria cidade, em um clube que já conhecia.
A temporada atual
Neste ano, o volante, camisa 8, disputa o Campeonato Mineiro e o Brasileiro sub-17 e esteve em campo em praticamente todos os jogos. Os números mostram um meio-campista de organização: foram 6 assistências e 1 gol na temporada.
O gol, aliás, tem história. Foi contra o América, pelo Brasileiro, e quebrou um longo jejum. É o momento que ele escolhe como o mais marcante do ano.

Luan também tem sido chamado para treinar com o sub-20. O jogador não faz planos de queimar etapas.
Rotina e família
A rotina de um atleta de base não é simples. As manhãs de Luan são no clube. À tarde, ele volta para casa, e à noite estuda, já que cursa o 3º ano do ensino médio. “Às vezes é difícil, mas tento fazer da melhor forma”, conta. O que mais custa, ele admite, são os momentos com a família que ficam para trás por causa do futebol.
A família segue como alicerce. Luan mora com os pais e o irmão. O pai o acompanha em todos os treinos e jogos e conhece bem o mundo do futebol: jogou nas categorias de base de Cruzeiro e Atlético até os 19 anos. A mãe, formada em Educação Física e Fisioterapia, cuida de perto da parte física do filho. E o irmão, segundo Luan, está sempre ao lado quando é preciso.
O jogo e os sonhos
Dentro de campo, Luan se define pela leitura de jogo e pela intensidade. Na posição, estuda o espanhol Pedri, do Barcelona. O próximo passo de evolução já está definido: melhorar os números ofensivos.
Para o restante da temporada, a meta é coletiva: ajudar o Cruzeiro a ser campeão mineiro e brasileiro no sub-17 e campeão mineiro no sub-20. Do futuro, espera “oportunidade” e se imagina daqui a cinco anos “jogando em alto nível”.








