Goiás investe em psicologia do esporte e lança programa que vai além do campo

A psicologia do esporte tem assumido papel cada vez mais estratégico na formação de atletas no futebol brasileiro. No Goiás, esse movimento é conduzido por Ana Soares, psicóloga da base do clube, que há seis meses integra o departamento e desenvolve um trabalho estruturado voltado ao amadurecimento emocional e social dos jogadores em formação.
Com experiência de quatro anos na área, iniciada no Cruzeiro/MG, a profissional lidera um programa de psicoeducação que atende atletas das categorias sub-10 à sub-20. A proposta vai além do desempenho dentro de campo e busca ampliar a consciência dos jovens sobre temas que impactam diretamente suas trajetórias pessoais e profissionais.
O principal eixo de atuação é o programa “Consciência além do gramado – Temas sensíveis”, que promove encontros semanais com as categorias sub-14 a sub-20 e quinzenais com os mais jovens. A iniciativa trabalha conteúdos como racismo, bullying, uso das redes sociais, misoginia, apostas esportivas e questões relacionadas à sexualidade e diversidade.

“A metodologia aplicada combina diferentes estratégias de aprendizagem, como rodas de conversa, exibição de conteúdos audiovisuais, simulações de situações reais e dinâmicas em grupo. O objetivo é desenvolver senso crítico, responsabilidade e capacidade de tomada de decisão em ambientes de pressão”, explica Ana Soares.
Além do aspecto educativo, o trabalho também atua na prevenção de riscos psicossociais e midiáticos, especialmente diante da exposição precoce dos atletas. Segundo a psicóloga responsável pela aplicação do projeto, o processo contribui diretamente para a melhoria do ambiente coletivo, refletindo no comportamento diário, na disciplina e na relação entre os jogadores.
Entre os impactos observados no clube, estão a evolução na comunicação dos atletas, maior consciência sobre condutas dentro e fora de campo e melhora no clima interno das equipes. “Um dos episódios que exemplificam esse avanço ocorreu após uma atividade sobre bullying, quando jogadores de uma categoria pediram desculpas espontaneamente a colegas por atitudes anteriores”, relembra Ana Soares, orgulhosa do resultado imediato.
O acompanhamento psicológico na base também considera as diferentes fases do desenvolvimento. Nas categorias iniciais, os desafios passam pela pressão familiar e pela dificuldade de expressão emocional. Já nas faixas intermediárias, o foco recai sobre adaptação longe da família e construção de identidade. Nos grupos mais velhos, questões como frustração esportiva, lesões e incertezas sobre profissionalização ganham protagonismo.

O trabalho no Goiás/GO é integrado a outros setores do clube, como pedagogia, assistência social e comissão técnica, formando uma atuação multidisciplinar. Há ainda iniciativas voltadas às famílias, com encontros mensais que buscam alinhar expectativas e orientar os responsáveis sobre o processo de formação dos atletas.
Além das ações já implementadas, o departamento de psicologia desenvolve projetos específicos, como programas de preparação mental para atletas em transição ao profissional, acompanhamento de jogadores lesionados e iniciativas de liderança dentro das categorias.






