Lateral de 17 anos, Caynnan é aposta no profissional do Vera Cruz/PE

Aos 17 anos, Caynnan Souza carrega no pescoço uma palavra que resume boa parte da própria trajetória. Depois de ser dispensado na segunda avaliação que disputou, o lateral esquerdo decidiu tatuar a palavra resiliência. O gesto virou lembrete diário do caminho percorrido até a assinatura com o Vera Cruz/PE, clube que agora projeta o jovem para o elenco profissional na disputa do Campeonato Pernambucano.
Nascido no Rio de Janeiro, Caynnan começou a jogar aos seis anos, na escolinha do Barcelona Interfut, incentivado pelo pai e pelo avô, que garantiam presença e transporte nos treinos. A infância dividida entre a escola e a rua no bairro de Campo Grande deu lugar, ainda cedo, aos primeiros testes em clubes maiores.
Foi no Campo Grande/RJ que o lateral viveu a fase mais decisiva da formação, onde teve cerca de dois anos de minutagem regular. Como trunfo de maturidade e enfrentamento de alto nível, a trajetória dele contempla conquistas da Taça Guanabara, a Copa União e a Copa Zico.
O nome do jogador também esteve em listas de observadores técnicos de clubes de peso nacional, caso de Ceará, Atlético-MG, Internacional/RS, Grêmio/RS e Náutico/PE. Nesses clubes, ele viveu momentos de crescimento em períodos de avaliação. Em nenhum desses casos o vínculo avançou, e o próprio jogador atribui isso à fase de maturação física e técnica que ainda vivia. O interesse recorrente, no entanto, ajudou a manter seu nome no radar do futebol de base carioca.

CHEGOU COM MORAL
A chegada ao Vera Cruz nasceu de um trabalho de observação direta. Bons desempenhos na Copa União e no Campeonato Carioca, onde chegou às fases de semifinais e quartas, respectivamente, chamaram a atenção de parceiros e scouts do clube pernambucano no Rio de Janeiro, que passaram a acompanhar Caynnan em diversas partidas.
Em comunicado oficial, o Vera Cruz destacou a qualidade técnica do lateral, a personalidade demonstrada em campo e o potencial de evolução como fatores que motivaram o investimento na contratação.
A mudança de estado significou também deixar a família no Rio de Janeiro. Caynnan hoje mora em Recife e descreve a separação como uma etapa tranquila dentro do processo, sustentada pelo apoio constante dos pais à distância, que ele chama de porto seguro da carreira.
Com 1,80m, 74kg e o pé esquerdo como principal arma técncia, o lateral já foi utilizado também como extremo, função que reforça seu perfil ofensivo. Na pré-temporada, tem treinado e potencializado cruzamentos, escanteios e faltas perigosas.
A diretoria do Vera Cruz entende que o atleta reúne condições para uma campanha de destaque e para reforçar um projeto que pretende revelar valores capazes de despertar interesse de clubes maiores do futebol nacional e internacional.
CALENDÁRIO
A estreia acontece num momento particular do futebol pernambucano. O estadual 2026 e 2027 unificou as antigas séries A1 e A2 numa competição só, dividida em duas etapas. A primeira fase, batizada de Turno Frevo, reúne 24 clubes em quatro grupos regionalizados de seis equipes, com início em 17 de outubro.
O Vera Cruz está no Grupo Grande Recife, ao lado de América, Guarany, Íbis, Ipojuca e Sete de Setembro, e enfrenta cada um dos adversários uma vez na fase inicial. Os quatro primeiros colocados de cada chave avançam para o mata-mata regionalizado, e o campeão, o vice e o terceiro colocado do Turno Frevo se juntam a Sport, Náutico/PE, Santa Cruz, Retrô, Decisão, Maguary e Vitória na etapa decisiva de dez clubes, o Turno Forró, prevista para janeiro de 2027.
O objetivo imediato de Caynnan é conquistar espaço dentro do grupo e ajudar o Vera Cruz a avançar de fase no novo formato do Estadual. A projeção pessoal vai além: o lateral se imagina daqui a cinco anos vestindo a camisa de um grande clube do Brasil ou da Europa. Entre a tatuagem que resume a superação e a estreia marcada no futebol profissional, Caynnan Souza tem agora a chance de transformar potencial em minutos e ainda mais oportunidade dentro de campo.








