Xerifão, maranhense Alessandro vira peça-chave no sub-15 do Ceará

Há atletas que se destacam pelo talento. Outros, pela garra. Alessandro Aguiar Lima tem os dois, mas o que mais chama atenção em sua história é algo mais raro: uma serenidade que não costuma caber em um garoto de 15 anos.
Natural de Matões do Norte, pequena cidade do interior do Maranhão, Alessandro cresceu ajudando os pais e dividindo o tempo entre os estudos e a bola. A vida simples, cercada pela família, foi o solo onde nasceu um sonho enorme: ser jogador de futebol. E o que poderia ter sido apenas um desejo de criança se transformou, com disciplina, em um dos nomes mais promissores da base alvinegra.
A história de Alessandro com o futebol começou em 2020, dentro de um projeto social. Foi ali que surgiu a primeira referência de peso em sua carreira: o professor Helton. “Acreditou no meu potencial e muito me ajudou”, diz o zagueiro, que cresceu ajudando os pais e dividindo o tempo entre os estudos e o futebol de rua.
Nem tudo, porém, foi linear. Antes de chegar ao Ceará, Alessandro tentou uma vaga no Bahia e não foi aprovado. “Continuei treinando e fui aliviando a frustração até que surgiu uma nova oportunidade”, lembra. A nova chance veio por meio da Kariri Cup, torneio que mudaria o rumo de sua carreira: o então captador do Ceará, Tasso, hoje olheiro do Vitória, observou o desempenho do jovem defensor em campo e acionou o agente Marcos Oliveira. Dali para o alvinegro cearense foi um passo.

Há um ano e meio de clube, o zagueiro de 1,90m e 85kg, canhoto de marcação dura e bom de bola aérea, soma uma trajetória de evolução rápida dentro da base alvinegra. Atua no sub-15, mas já teve a experiência de treinar no sub-17 e, em um momento que descreve como marcante, chegou a participar de um treino com o profissional.
A temporada reforça o bom momento. Entre Campeonato Cearense, Copa do Brasil, Copa 2 de Julho, Copa Seromo e Liga Ceará, Alessandro soma uma média de 50 jogos, com 13 gols e 15 assistências, números expressivos para um zagueiro, além de 10 partidas sem sofrer gols com ele em campo.
O ponto alto, segundo o próprio atleta, foi a disputa de terceiro lugar da Copa do Brasil contra o Flamengo, na Granja (Comary, centro de treinamento do clube carioca). “Tirei a bola em cima da linha do gol”, relembra, orgulhoso de uma jogada que carrega justamente o que mais valoriza no próprio jogo: a firmeza na marcação.
Já o resultado mais difícil de engolir veio contra o Internacional, na semifinal da Copa do Brasil: derrota por 5 a 0, com um gol sofrido logo no primeiro minuto, após a bola bater em sua mão dentro da área.

Entre as conquistas, o Campeonato Cearense de 2025 ocupa lugar especial, seu primeiro título pelo Ceará, construído em cima do rival Fortaleza e que valia o tetracampeonato estadual da categoria. A lista também inclui a Liga Ceará de 2026 e um prêmio individual de craque do jogo em uma partida do estadual.
Perguntado sobre referências, Alessandro não hesita: Virgil van Dijk. “Gosto muito do estilo de jogo dele, a seriedade e a constância para manter a regularidade nos jogos”, explica, características que também busca para si mesmo em campo.
Sobre o futuro, não falta ambição. Daqui a cinco anos, se imagina na Seleção Brasileira. Antes disso, a meta mais imediata é terminar a temporada com títulos. “O Ceará me proporciona tudo que eu preciso para me desenvolver como atleta e pessoa, a cobrança pela evolução não pode parar”, diz, consciente de que a exigência diária é parte do caminho.









