Zagueiro e artilheiro, Felipe Bressan decide jogos pelo Maringá/DF

Nas quartas de final do Candango Sub-15 deste ano, diante do Minas Brasília, o zagueiro Felipe Bressan Penso resolveu dos dois lados do campo. Se comportou com segurança e imposição no setor defensivo e ainda balançou a rede com um gol de perna esquerda, que abriu caminho para a classificação do Maringá/DF à semifinal. A atuação resume bem o que o zagueiro, conhecido como Bressan, vem entregando nesta temporada.
Nascido em Curitiba/PR, Bressan começou no futsal pela APCEF ainda aos 5 anos, incentivado pelos pais, que sustentaram o gosto e os sonhos do jovem desde cedo. A infância se construiu em frente a uma quadra, onde ele dividia horas de bola com os meninos da vizinhança antes mesmo de imaginar o caminho que a carreira tomaria.
A mudança para Brasília/DF trouxe o encontro com o Maringá/DF. Aos 10 anos, ele chegou ao clube com vídeos dos campeonatos de futsal que disputava no Paraná, material que convenceu o professor Écio a convocá-lo para uma semana de treino avaliativo. Precisou de pouco tempo para o técnico identificar potencial no grupo, e a evolução veio rápida, com Bressan assumindo a titularidade, depois o posto de capitão da equipe da própria categoria, e também espaço como titular na categoria acima, o sub-16.

Ao lado do irmão Éder, hoje falecido, Écio manteve durante anos um trabalho de treinos específicos somados aos coletivos, o que ajudou a moldar a capacidade técnica e a leitura de jogo que Bressan tem hoje.
No sistema defensivo, ele passou a comandar. É dele a responsabilidade por corrigir as linhas, orientar as coberturas quando o time joga com três zagueiros e conduzir as saídas de bola, tanto em passes curtos quanto em lançamentos longos, com as duas pernas. A ambidestria permite que atue nos dois lados da zaga.
Os números da temporada reforça o argumento. Bressan soma 13 gols neste ano, entre o sub-15 e o sub-16. Ele já foi artilheiro de campeonatos mesmo atuando na zaga, e no Candango Sub-15 de 2026 despontou como o defensor com mais gols da competição. No currículo da base, títulos como Lions Cup, Leão Brasília Cup, BSB Cup, LibertaCup e Prime Cup se somam a vices na Copa Satélite, na Copa Novos Talentos e na Copa JK.
Rotina de quem quer vencer
O dia a dia de treinos carrega também um episódio que ajuda a explicar a evolução. Em 2025, o Maringá perdeu uma final nos pênaltis, e Bressan foi um dos que desperdiçou a cobrança, batendo na trave. A resposta veio em forma de trabalho, com mais de 100 cobranças de pênalti treinadas semanalmente até a técnica evoluir.
Fora de campo, a rotina segue rígida. As manhãs são de aula, das 7h30 às 13h, no primeiro ano do ensino médio de uma escola de formação católica. À tarde, o treino específico de habilidades da posição, cabeceio, bola parada e lançamentos antecede o treino coletivo, que se estende até as 16h30. Depois, é hora de estudar de novo, até as 20h, antes do tempo livre com os amigos.
A disciplina alimentar segue o mesmo rigor, sem refrigerante e com suplementação orientada, o que ele credita por nunca ter sofrido uma lesão muscular ou óssea grave, apesar de disputar duas categorias ao mesmo tempo.

O pai deixou funções de alta exigência no banco onde trabalha para acompanhar de perto a rotina do filho. Há quatro anos, os dois seguem juntos a treinos e jogos, dividindo aprendizados, vitórias e derrotas. Bressan também conta com o acompanhamento próximo da comissão técnica do Maringá, que dedica tempo exclusivo a trabalhar pontos específicos do seu jogo.
Neymar é o ídolo declarado, e no mesmo setor do campo o zagueiro espanhol, campeão mundial em 2026, Cubarsí é a referência que ele busca absorver. O objetivo imediato é manter a evolução sem lesões e passar a disputar competições nacionais.
Daí em diante, o horizonte é mais amplo. Aos 14 anos, Bressan sonha com a seleção brasileira. Entre o futsal em Curitiba e a zaga do Maringá em Brasília, a lógica segue a mesma de sempre: não existe atalho, apenas o trabalho diário que o trouxe até aqui.







