Zoroastro Ferreira lidera retomada do Treze ao protagonismo do futebol de base paraibano

Em 2023, o Treze chegou à decisão do Campeonato Paraibano Sub-15 como vice-campeão, sustentado por poucos apoiadores e por um número reduzido de categorias na base. Dois anos depois, o clube é o único da Paraíba a manter competindo simultaneamente do sub-11 ao sub-20, viu a base conquistar, de forma invicta, os títulos estaduais das categorias sub-13, sub-15 e sub-20 e voltou a garantir presença na Copa São Paulo de Futebol Júnior depois de 21 anos fora da competição.
A reviravolta aconteceu sob a coordenação de Zoroastro Ferreira, à frente da base alvinegra desde 18 de janeiro de 2024.
Natural de Campina Grande, na Paraíba, e formado em educação física, Zoroastro chegou ao futebol de base pelo Campina FC, em 2023, e logo depois passou a atuar como treinador do sub-17 no Campinense/PB, dividindo a função técnica com tarefas de gestão dentro do clube.
A experiência nas duas frentes formou a base do método que aplica hoje. Chegou ao Treze em novembro de 2023 para atuar na área técnica e assumiu a coordenação geral em janeiro seguinte, depois da saída do gestor anterior.
O primeiro movimento à frente do projeto não foi tático. Foi financeiro. “O primeiro passo foi a reorganização financeira, onde precisava de imediato ser realizada. E assim colocando tudo dentro de uma realidade para que tivessem mais tempo e segurança no projeto”, afirma o coordenador.
Só depois de estabilizada essa base é que o clube pôde ampliar categorias e sustentar um planejamento de médio prazo, algo que faltava ao Treze em 2023, quando o próprio sub-20 dependia de empresários que hoje ocupam a diretoria do clube.

A metodologia aplicada nas categorias segue uma referência declarada, os clubes que já fazem um trabalho de excelência, adaptada à identidade do Galo. “Temos que nos espelhar em quem é grande e quem faz um trabalho de excelência. O técnico por mais que tenha sua didática diferente do outro da categoria, precisamos mostrar ao mesmo como é o Treze, qual a história do Treze, e nisso vamos aplicar uma maneira de jogo apoiado, bola no pé, várias maneiras táticas e variações que devemos ter dentro do nosso time”, explica Zoroastro.
Os títulos vieram em sequência, mas cada um carrega um significado próprio na leitura do coordenador. O vice-campeonato paraibano sub-17 de 2024 foi a primeira competição da gestão e já rendeu a negociação de dois atletas para um grande clube do país.
Em 2025, ano do centenário do Treze, vieram os títulos invictos do sub-13 e do sub-15, este último garantindo pela primeira vez uma vaga em competição nacional para a categoria. Em 2026, o marco ficou por conta do sub-20, campeão paraibano e também classificado para disputas nacionais.
A volta à Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo sub-20 e a estreia inédita na Copa 2 de Julho Sub-15 fazem parte de um cálculo maior do que o resultado esportivo. “Sabemos a importância de cada competição para a base. Copinha Sub-20 e 2 de Julho Sub-15 aumentam a visibilidade do clube. São competições em que temos mais facilidade para negociar atletas, de poder levar nossos atletas para competições que alguns nunca tiveram a oportunidade de participar. São competições pilares para cada categoria, que o Treze não pode ficar de fora, pois lá está o Brasil e o mundo de olho”, diz o coordenador.
Essa ponte com o mercado passa também por uma parceria formal. A base do Treze mantém acordo com a AJ Sports, empresa de gestão de carreiras com mais de dez anos de atuação e histórico de atletas em clubes do Brasil e do exterior, o que ajuda a identificar o perfil de cada jogador da base para diferentes praças, do sul ao sudeste, do nordeste à Ásia e à Europa. Hoje, seis atletas revelados nas categorias de base do Treze já integram o grupo profissional do clube.

Se os números sustentam a gestão, é na formação humana que Zoroastro Ferreira diz estar o verdadeiro objetivo do trabalho. “A formação humana é a base de tudo, é o fator principal, seja dentro de campo com a disciplina tática ou fora de campo com o compromisso escolar. Em um projeto a longo prazo, a base não forma só atleta, e sim cidadãos. 90% dos atletas não virão a ser profissionais, mas 100% virão a ser adultos. Se o atleta saiu com 20 anos da base sem contrato, mas com estudo, disciplina e caráter, o nosso projeto cumpriu o papel dele”, resume o coordenador, que trata a proximidade com as famílias como parte do trabalho diário, com atenção redobrada aos pais das categorias mais novas e contato direto com os responsáveis pelas redes sociais dos atletas mais velhos.
Nem tudo, reconhece, é fácil. “Não é fácil fazer futebol honesto e coerente, principalmente na Paraíba, e o maior desafio foi não desistir, foi poder mostrar o trabalho realizado, o trabalho que vem sendo feito honestamente, o trabalho que por si só mostra os resultados devido às boas pessoas que temos do lado, voltar o Treze para onde merece estar”, afirma.
Para os próximos ciclos, a meta declarada é presença constante em competições nacionais e consolidação do Treze como referência da base paraibana. “Um legado campeão, um legado traçado por saber escolher quem pode estar ao seu lado. Isso é uma cultura vencedora implantada aos profissionais e atletas, um DNA da base do Galo”, define Zoroastro sobre o que pretende deixar à frente do projeto, além dos títulos e dos atletas revelados.








