Com dez jogos e 14 participações em gols, Guilherme Souza se destaca no sub-15 do Red Bull Bragantino

Dez jogos. Cinco gols. Nove assistências. Quinze anos de idade.
Se esses números fossem de um atleta profissional, já seriam expressivos. Vindos de um atacante sub-15 do Red Bull Bragantino, disputando Campeonato Paulista e Copa do Brasil, eles contam uma história que começa muito antes da peneira e muito antes do alojamento em Atibaia.
Guilherme Souza Silva, que tem contrato com o Braga até 2028, cresceu no Parque Fernanda, na zona sul de São Paulo. A bola apareceu cedo, primeiro num projeto social da comunidade, depois nas ruas do bairro, nas peladas com os amigos, nas tardes longas de bicicleta e futebol que ele descreve sem nostalgia, só com naturalidade. Era assim a vida. Ele jogava. E era bom.
Aos seis anos, CDC Parque Fernanda. Aos oito, Meninos da Vila, em Itapecerica da Serra. Aos dez, Atlântica Academy e uma passagem pelo futsal no Tabuca Juniors. Cada etapa foi uma camada. Cada ambiente, um vocabulário diferente de jogo absorvido por um menino que nunca precisou que ninguém dissesse para ele se dedicar.

Em 2020, Vinicius dos Santos, observador técnico, o indicou para uma peneira no Red Bull Bragantino. Gui foi. Passou. E não saiu mais.
O que o clube encontrou foi um atacante canhoto de movimentação inteligente, drible e finalização como pontos fortes, capaz de jogar como centroavante ou pela ponta. O que Gui encontrou foi uma estrutura que ele resume em poucas palavras, mas que o Brasil já conhece bem: “Oportunidades de viagens pelo Brasil, Europa e uma ótima estrutura de treinamento.”
Uma delas o levou até a Grécia, para o Campeonato Internacional Elite Neon Cup, onde foi artilheiro da equipe e ajudou o Bragantino a conquistar o título. Primeiro grande troféu, no exterior, aos 14 anos.
A temporada de 2026 começou com uma derrota que ele não esquece. Copa do Brasil sub-15, estreia contra o Grêmio/RS, 2 a 1 para o adversário. Gui cita o jogo sem ser perguntado sobre frustração, como quem carrega uma conta aberta que pretende fechar. Algumas rodadas depois, a resposta veio: contra o Coritiba/PR, no jogo da classificação, ele deu uma assistência, marcou um gol e avançou na competição com o time.
O Ronaldo Fenômeno é o ídolo. Neymar, Endrick e Lamine Yamal são os atletas que estuda na sua posição. A combinação entre os três nomes revela um atacante que entende que o futebol de alto nível exige arte e decisão em igual medida.
Hoje ele mora no alojamento do clube, em Atibaia, a família em São Paulo. Os amigos da comunidade, a rua, as peladas, tudo ficou para trás no cotidiano, mas não na identidade. “Um atleta que lutou, se superou e conquistou sem perder as suas origens”, é como quer ser lembrado.






