Rafael Borges leva o Treze ao primeiro título do estadual sub-20 da história do clube

O Treze não perdeu uma partida sequer no Campeonato Paraibano Sub-20. Foram nove jogos, oito vitórias e um empate, com 26 gols marcados e apenas cinco sofridos, campanha que garantiu ao clube o direito de decidir a final em casa, como mandante, e terminou com duas vitórias seguidas sobre o Cruzeiro.
O resultado deu ao Alvinegro o primeiro título sub-20 da sua história, sob o comando do treinador Rafael Borges.
Para o Treze, a conquista tem peso que vai além do troféu. Fazia 21 anos que o clube não disputava a Copa São Paulo de Futebol Júnior, e o título garante presença também na Copa do Brasil Sub-20 e na Copa do Nordeste Sub-20 na temporada seguinte, ampliando o calendário nacional da base alvinegra.
“Para o Treze significa uma mudança gigantesca, por garantir calendário em algumas das principais competições de base do país”, resume Borges. Para o treinador, o título representa mais do que um resultado isolado. “Acredito que representa a consolidação do trabalho e do profissional que tenho me tornado”, diz.
A relação de Borges com o futebol começou como a de tantos meninos brasileiros, jogando bola e sonhando em ser atleta. O que mudou essa trajetória foi o contato próximo com o futebol amador da família, que despertou nele um interesse diferente, não mais o de jogar, e sim o de organizar o jogo.

A primeira experiência como treinador veio de um projeto que ele mesmo criou, o Clube Sportivo Olivedense, iniciativa social pensada para dar a crianças e adolescentes de Olivedos, cidade da Paraíba onde vive atualmente, a chance de dar os primeiros passos no futebol.
A formação técnica seguiu paralela ao trabalho de campo. Borges cursou Educação Física, sob influência do professor Janailson Diniz, concluiu a Licença C e o curso de análise de desempenho pela CBF Academy, e soma ainda um curso de treinador pela Plataforma do Futebol Interativo, com estágio no Vila Nova, de Goiás.
Um mestrado em treinamento e gestão desportiva, pela Uneatlântico, está com a matrícula trancada por falta de tempo diante da rotina de trabalho, e a Licença B da CBF está prevista para o segundo semestre.
O caminho até o Treze passou por Perilima/PB, onde trabalhou em 2022 subindo do sub-17 ao profissional A2, pelo Esporte Clube de Patos/PB, pelo Cruzeiro de Itaporanga/PB, onde em 2024 já havia sido campeão paraibano sub-20 de forma invicta, e pelo Mantiqueira/SP, na segunda divisão paulista.
“O principal aprendizado e marca deixada é que, independente das circunstâncias e estruturas oferecidas, temos sempre que trabalhar muito para merecer demais, tudo é fruto de uma construção diária, sem lamentações”, resume sobre o que ficou de cada passagem.
Chegou ao Treze há três meses. Segundo ele, foi um processo natural, fruto de trabalho, preparação e estudo, e o que pesou na decisão de aceitar o convite foi a grandeza do clube e a chance de integrar um processo de reestruturação da base que buscava justamente devolver o Treze ao circuito nacional de competições de categoria.

O estilo de Borges tem identidade declarada. Ele diz trabalhar com uma ideia ofensiva de jogo, apoiada na máxima de que a melhor forma de se defender é atacando, organiza a equipe no 4-3-3 com variações e busca o controle de posse de bola para sustentar as ações treinadas.
Mas o maior desafio da função, segundo ele, não está na tática. “Acredito inicialmente que o maior desafio de ser treinador é gestão de grupo, gerir e preparar pessoas, levando em consideração os aspectos bio-psico-sociais”, afirma.
Na base, o treinador diz priorizar o desenvolvimento integral do atleta acima do resultado imediato, envolvendo capacidades cognitivas, evolução técnica e tática, compreensão de jogo e maturação psicológica, processo que considera necessário para preparar o jovem para os desafios do futebol de alto rendimento.
Essa visão se reflete na forma como lida com o grupo. Borges defende humanizar os processos de cobrança e evolução, entender os desafios pessoais de cada atleta e construir uma liderança partilhada dentro do elenco. O método já rendeu frutos fora do Treze.
Luiz Lócio, avaliado por ele em uma peneira na Perilima/PB, hoje está no sub-20 do Vasco. Jefferson Maciel, que saiu da escolinha idealizada por Borges para ser monitorado pelo Grêmio/RS, se consolidou no Ceará, passou pelo Botafogo/RJ e por clubes de Portugal, e atualmente joga no Avaí/SC.

Fora de campo, a rotina intensa de treinador de base tem um contraponto na fé e na família, que Borges descreve como presente mesmo à distância, sustentada pela oração e por aquilo que chama de energia positiva.
O plano seguinte já está definido, seguir avançando nos níveis de qualificação da CBF Academy até a Licença Pro, e manter o Treze competitivo nas disputas nacionais que o título recém garantiu.
“Quero que fique um legado de conquistas, de títulos, de projeções de atletas, mas principalmente de um trabalho verdadeiro, cheio de princípios e valores que fortaleceram a história do clube”, diz Borges, agora bicampeão paraibano invicto, com 21 vitórias, um empate e nenhuma derrota somando as duas conquistas, e 57 gols marcados contra apenas nove sofridos.







