Léo Peruchi mira vôos altos com a camisa do Cosmopolitano/SP

Foi um fotógrafo do Cosmopolitano/SP quem levou o nome de Leonardo Peruchi até o treinador. A indicação rendeu um teste de um mês, o teste terminou em vaga e, nove meses depois de chegar ao clube, o lateral-esquerdo de 14 anos se prepara para disputar as oitavas de final do Campeonato Paulista Sub-14, que começam neste fim de semana. É a primeira vez que ele alcança essa fase da competição.

A classificação passou pela marca do pênalti. No jogo de volta dos 16 avos de final, o Cosmopolitano avançou nas cobranças, e Leo, como é conhecido, converteu a sua.

Ainda na fase de grupos, outra noite já havia mostrado o tipo de lateral que ele quer ser. No jogo de volta contra o Rio Claro/SP, Leo foi titular pela primeira vez, deu as duas assistências da vitória por 2 a 0 e, na disputa de pênaltis que valia o ponto extra, bateu a última cobrança. Com ela, o Cosmopolitano assumiu a liderança do grupo.

As duas jogadas seguiram o mesmo caminho das seis assistências que ele soma na temporada. Leo tabela com o ponta ou parte para a jogada individual, chega à linha de fundo e cruza na área. Quando o espaço não aparece pelo corredor, procura o ataque com lançamentos longos desde a defesa.

Na temporada, ele disputou 16 jogos pelo Paulista e quatro pela Leme Cup, torneio de julho em que a equipe caiu na semifinal, marcou um gol e esteve em campo em sete partidas em que o time não foi vazado.

Por pouco essa não seria a função dele. Quando era menor, Leo jogava no meio-campo, e não esconde como era. “Quando era mais novinho jogava de volante, mas eu não era muito bom jogando”, admite. Foi o pai quem sugeriu a lateral esquerda. O garoto gostou da posição e não saiu mais dela.

INFLUÊNCIA

O pai, que jogou na base e depois optou pelos estudos, está no começo de tudo. Foi por influência dele que Leo começou a jogar, aos 4 anos, nas ruas do condomínio onde mora em Limeira, e foi ele quem o colocou na escolinha e, mais tarde, na base. “Ele que me ensinou tudo o que sei hoje sobre futebol”, diz o atleta, que credita ao pai a visão de jogo, a habilidade com a bola e a marcação.

A escolinha da AABB foi a casa de Leo entre 2016 e 2025. Era um ambiente leve, onde o futebol ainda era diversão e não projeto de vida. Por meio de uma parceria entre a escolinha e o Independente de Limeira/SP, o treinador da AABB o indicou para a primeira experiência de base. No Independente, disputou o Paulista sub-12 em 2024 e o sub-13 em 2025, e ali o sonho ganhou forma. “Foi onde vi que o futebol é muito competitivo, e se realmente quisesse ser jogador teria que me doar cada vez mais”, conta.

A exigência quase cobrou o preço. No sub-12, Leo pensou em desistir. Quem o segurou foram os amigos Pietro e Eloan, que foram até a casa dele para convencê-lo a continuar.

Pela AABB vieram também as primeiras experiências fora de casa. Em 2025, fez um teste no Barra/SC treinando com a categoria 2011, um ano acima da sua, e sentiu a diferença no corpo. “Foi aí que realmente vi que nas categorias de base a idade realmente importa”, lembra, ao falar de adversários mais fortes, mais rápidos e maiores, que dificultavam a marcação sem tirar dele o nível de jogo.

Depois, passou uma semana de jogos no Paraná contra Coritiba/PR, Athletico/PR e o núcleo de captação do Flamengo/RJ. Contra o Flamengo, marcou um gol olímpico.

DIFERENCIAL

A bola parada é justamente o que ele aponta como ponto forte, ao lado da batida na bola. Com 1,70 m, 60 kg e a camisa 6, Leo se descreve como um lateral que gosta de ter a bola no pé, ajuda bastante no ataque e também colabora na defesa. A lista do que ainda quer melhorar é igualmente clara, com o drible, o passe longo e a marcação.

Para ver como se joga com a bola no pé, observa Marcelo. Os ídolos são Neymar e Ronaldinho, por um motivo que ele resume em poucas palavras. “Os dois expressam a alegria de jogar futebol, e é assim que me identifico com eles.”

No Cosmopolitano, a alegria passou a dividir espaço com outra palavra.

Os campos, a fisioterapia, a academia, a piscina e os treinadores formam o que ele considera especial na formação que recebe ali. O clube também cobra. “Aqui você não paga nada, mas tem que se dedicar apenas ao clube”, explica, ao comparar com a realidade da região, onde é comum pagar para jogar.

O vínculo federativo com o Cosmopolitano foi registrado em março de 2026 e vale até o fim de 2028.

DIA A DIA

A rotina acompanha a cobrança. Leo acorda às 5h50, assiste às aulas do 9º ano do ensino fundamental das 7h ao meio-dia, almoça e segue para o treino de carona com dois amigos. A atividade vai das 14h30 às 17h, ele chega em casa por volta das 18h e às 21h30 já está deitado.

Na semana de provas, os estudos ficam para depois do treino. Para manter esse ritmo, abre mão de sair, de festas e outros eventos sociais. Antes dos jogos, faz uma oração e se afasta do celular. Quando sobra tempo, volta para o campinho do condomínio, o mesmo lugar onde tudo começou, e treina por conta própria.

Pai e mãe dividem as idas aos treinos e aos jogos. A mãe, que tem a corrida como hobby, e o pai percebem quando o filho sai triste de uma partida ruim e o acolhem nesses momentos. A mensagem da família é a de que o apoio continua enquanto ele se divertir jogando. “Essa relação é tudo pra mim, porque se não fossem eles nem no futebol eu estaria mais”, afirma.

Para o restante da temporada, Leo quer se firmar como destaque no Paulista e quer alcançar a semifinal da competição. Daqui a cinco anos, ele se imagina estreando no profissional de um grande clube.

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