Charles Rocha lidera o Juventus ao primeiro título da era SAF e mantém a vice liderança no Paulista Sub-17

Nove jogos, oito vitórias, um empate, quarenta gols marcados e apenas três sofridos. Foi com essa campanha que o sub-17 do Juventus/SP conquistou a Copa Buh neste mês de junho, de forma invicta, sob o comando de Charles Rocha. O título é o primeiro da base do clube na era SAF, e chega no mesmo momento em que a equipe ocupa a vice liderança do Grupo 12 no Campeonato Paulista da categoria, atrás apenas do Ibrachina e à frente do Corinthians.

O caminho até esse resultado passou por um jogo que resume o tipo de equipe que Rocha vem construindo. Nas quartas de final, contra o União Suzano, o Juventus jogava em casa e foi surpreendido com um dois a zero no primeiro tempo. A reação veio na etapa final, buscou o empate e selou a vaga nos pênaltis.

A conquista carrega um significado específico para o trabalho que vem sendo desenvolvido desde a transição para o modelo SAF, em novembro do ano passado. “O primeiro título da era SAF na base, um ponto de partida importante para a sequência do trabalho”, define Rocha.

Por trás do resultado, houve planejamento de minutagem dividido por fases. Na primeira etapa da Copa Buh, a comissão técnica priorizou tempo de jogo para os atletas nascidos em 2010, mirando a preparação para o Paulista. Nas fases eliminatórias, o critério mudou para equalizar o grupo, levando em conta o momento de adaptação e o aspecto qualitativo do trabalho.

Rocha tem 37 anos e é natural de São Paulo. Iniciou a carreira como treinador em 2015, nas categorias de base do S.C Atibaia, logo depois de encerrar a trajetória como atleta profissional. Foram quatro anos de trabalho que passaram por praticamente todas as categorias da base até chegar ao profissional como auxiliar técnico, com destaque para a semifinal da Copa Paulista em 2018 e o acesso da equipe à Série A2 em 2019. No período, também comandou o time na Copa São Paulo de 2018.

A passagem seguinte foi pelo Oeste/SP, onde atuou como auxiliar e treinador principal das categorias sub-15 e sub-17. Depois veio o retorno a São Caetano do Sul, onde já havia atuado como atleta na base do clube. Entre 2021 e 2022, disputou dois Campeonatos Paulistas e uma Copa São Paulo como auxiliar técnico da categoria, além de comandar o time principal em competições paralelas como a Paulista Cup.

A chegada ao Juventus aconteceu em janeiro de 2024, por convite de um gestor da base, para assumir o sub-15. Desde a transição SAF, em novembro de 2025, Rocha comanda o sub-17 e neste ano também atuou como auxiliar técnico do sub-20 na Copa São Paulo.

Um traço pouco comum na trajetória de treinadores de futebol de campo é a atuação paralela no futsal. Desde 2010, Rocha mantém um projeto de iniciação esportiva em futsal no ABC paulista, fundado junto com o pai, onde hoje atua como coordenador geral. A vivência nessa modalidade se tornou um dos pilares do método aplicado no Juventus. “O aspecto qualitativo do jogar, nas tomadas de decisões e na leitura do jogo”, resume o treinador sobre o que o futsal trouxe de repertório para o trabalho no futebol de campo.

O jogo associativo, marca registrada do futsal, é hoje uma característica direta do trabalho de Rocha à frente do sub-17. “Muitos dos princípios que aplicamos no campo têm origem nos conceitos do futsal, adaptados às demandas do futebol. Entendo que o processo de formação não é apenas para competir, mas sim estimular o atleta a compreender o jogo de forma mais completa e eficiente”, explica.

DESTAQUE NO PAULISTA

No Campeonato Paulista, a equipe disputou sete jogos até aqui, com cinco vitórias e duas derrotas, em um elenco formado por setenta por cento de atletas nascidos em 2010. “Em constante evolução e com margem de crescimento, considerando ser uma equipe jovem”, avalia o treinador, que aponta o desempenho contra as equipes do G3 como o ponto a melhorar na busca pela liderança do grupo. Entre os destaques do elenco, Rocha cita Vitor Coca, da geração 2009, já integrado ao sub-20, e Pedro Henrique, o Pedrinho, da geração 2010, descrito como um atleta técnico, competitivo e inteligente.

A filosofia de trabalho de Rocha é direta. “Exigente, competitivo e estudioso. Nada supera o trabalho. Acredito em uma formação que desenvolva atletas competitivos e pessoas preparadas para os desafios do futebol e da vida”, define. Telê Santana é a referência que carrega desde jovem, somada a nomes da atualidade como André Jardine, cujo trabalho formador acompanhou de perto no São Paulo em 2016, além de Julian Nagelsmann, Jürgen Klopp e Pep Guardiola.

Os planos de Rocha vão além da temporada atual. “Tenho pretensões claras dentro do clube, que é chegar até a equipe principal, mas quero ser reconhecido como um treinador capaz de formar atletas, consolidando minha trajetória no futebol de base e realizando uma transição sólida para o futebol profissional nos próximos anos, sem abrir mão dos valores de desenvolvimento humano, identidade de jogo e excelência no trabalho diário”, projeta. Por enquanto, o objetivo imediato é manter o que ele chama de DNA formador e vencedor do clube.

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