Conheça Nill Santos, treinador que tem surpreendentes 28 vitórias e 95 gols marcados em 36 jogos pelo Ibrachina/SP

Tem treinadores que chegam ao futebol de base depois de uma longa carreira como jogador. Nill Santos chegou por outro caminho. Parou de jogar aos 14 anos, no projeto social do próprio bairro, e ficou.
Não como atleta, mas do lado de quem orienta, observa e organiza. A paixão pelos aspectos técnicos e táticos falou mais alto que qualquer sonho de campo.
Hoje, com 26 anos e sete clubes na trajetória, Nicullas Willi Rocha dos Santos, o Nill, acumula um currículo que poucos profissionais da mesma idade conseguem apresentar com esse volume e essa consistência.
Formado em Educação Física pela USP, com Licenças C e B da CBF Academy e um curso de identificação de talentos pela FA inglesa, ele chegou ao Ibrachina FC no segundo semestre de 2024 e não parou mais de vencer.
O número que resume o ciclo no clube de São Paulo é especial: 36 jogos, 28 vitórias, seis empates e apenas duas derrotas. Até aqui, 95 gols marcados, 26 sofridos. Paulista CUP 2025, Copa Puma 2025, Copa Fictor 2026 e o título de ouro na Aldeia International CUP compõem uma prateleira de troféus construída em pouco mais de um ano à frente do sub-17.
A campanha mais recente reforça o padrão. No Campeonato Paulista Sub-17 deste ano, o Ibrachina FC lidera o Grupo 12 com 18 pontos em seis jogos, seis vitórias, nenhuma derrota e 18 gols marcados contra apenas seis sofridos.
O Corinthians/SP aparece em segundo, com 13 pontos e quatro vitórias. A diferença não é de um jogo. É de um modelo de trabalho.
A TRAJETÓRIA
“O campeonato paulista é o mais representativo, sem dúvidas. Foi um trabalho construído por muitas mãos, com muito foco e disciplina de toda a comissão técnica e dos atletas”, afirma Nill. O vice no Paulistão 2025 ficou perto do título, mas ele recusa a leitura de derrota. “Para nós foi como um título, pois sabemos do quanto construímos para chegar ali. Aquele grupo deixou um legado.”
Antes do Ibrachina, a trajetória passou pelo Clube Pequeninos do Meio Ambiente, onde ele ficou de 2016 a 2024 transitando entre auxiliar técnico e treinador das categorias menores. Passagens pela Associação Desportiva Guarulhos, pelo Votoraty FC, pelo União Suzano e pelo Embu-Guaçu SAF completaram a formação prática que as licenças e os cursos sustentam na teoria.
Em cada clube, ele diz ter encontrado uma cultura diferente, tanto na captação de atletas quanto na forma de entender o jogo. “Cada um com suas características, mas todos pensando na formação dos jovens para ingressá-los em oportunidades maiores”, define.

TIME OFENSIVO
O modelo de jogo que carrega tem identidade clara: propositivo, com ênfase ofensiva e transições agressivas. A referência que ele cita sem hesitar é Jürgen Klopp. “A ofensividade e os comportamentos que os atletas dirigidos por ele demonstram”, explica ao falar do técnico alemão como espelho de trabalho.
Valores como agressividade, coragem, confiança e humildade estão escritos na cultura do grupo que ele constrói no Ibrachina, e o departamento de psicologia faz parte desse processo.
“A humildade parte do reconhecimento de que você precisa do próximo para tudo. Costumo trazer o departamento de psicologia e social para que construa junto esse caminho”, conta.
A formação acadêmica entra no cotidiano pela lógica da periodização. A graduação em Educação Física, somada ao grupo de estudos de Futebol e Futsal da USP e cursos completos durante a pandemia, moldou a forma como ele monta microciclos, distribui volume e intensidade e pensa nas demandas fisiológicas de cada categoria.
“O futebol é complexo e tem uma demanda física muito grande. A graduação me deu base para entender melhor a montagem dos treinos”, diz.
A relação com os atletas segue a mesma lógica de equilíbrio. Cobranças nos aspectos profissionais, feedbacks constantes e transparência como construção de confiança. “Os atletas sabem que aqui é um treinador que vai querer sempre que eles sejam melhores em todos os detalhes. Essa transparência constrói uma confiança positiva entre nós.”
Daqui a cinco anos, Nill Santos quer estar trabalhando continuar trabalhando em um clube lhe garanta as melhores condições de trabalho possíveis.
Mas o que parece mover esse treinador de Manga, no norte de Minas Gerais, é algo que os números do Ibrachina traduzem melhor do que qualquer objetivo declarado: a convicção de que coletivo forte não se proclama, se constrói, jogo a jogo, treino a treino, atleta por atleta.








