Conheça Adriano Almeida, técnico do time surpresa do Mineiro Sub-20

O convite chegou no final de 2025. Adriano Almeida aceitou o desafio, chegou a Muriaé no dia 9 de fevereiro e encontrou uma situação que poucos treinadores encarariam sem hesitar: elenco desmontado, atletas para avaliar, dispensas para fazer e uma competição se aproximando sem que houvesse, de fato, uma equipe formada.

“Cheguei ao Nacional em um momento em que a equipe foi montada do zero, pois o elenco do ano passado tinha sido desmanchado. Tivemos uma semana inicial muito pesada, com avaliações, atletas indicados, processos de dispensas. Algo diferente da maioria das equipes que iriam participar da competição. Sabíamos que isso poderia ser um dos maiores desafios do trabalho: montar uma equipe competitiva e apresentar um futebol de qualidade”, conta o treinador.

O que veio depois surpreendeu o próprio ambiente do Campeonato Mineiro sub-20. O NAC Muriaé, recém-promovido à primeira divisão e com objetivo inicial de simplesmente se manter na elite, está em segundo lugar no Grupo C com 11 pontos, atrás apenas do Atlético/MG SAF, que lidera com 18. O trabalho de Adriano Almeida é hoje um dos assuntos do futebol de base mineiro.

Adriano já foi treinador na base do Corinthians

A história que levou esse treinador até Muriaé começa no Sobradinho, em Brasília, onde iniciou a carreira como preparador físico e auxiliar técnico. De lá, percorreu o Brasiliense, Real Brasília, AA Luziânia, América de Natal, União Desportiva Guarense, Corinthians/SP, Clube Atlético Vianópolis, Boston City FC e Rio Branco SAF. Mais de dez clubes, quatro regiões do país, contextos radicalmente diferentes entre si.

“Viver experiências em diferentes estados acrescenta muito. Conhecer e vivenciar realidades diferentes do futebol foi enriquecedor e faz muita diferença na carreira”, afirma. O exemplo que ele usa para ilustrar essa bagagem é revelador. Quando chegou ao Corinthians/SP para comandar o sub-15, havia passado anos em clubes de menor estrutura. O ambiente do Parque São Jorge, que intimida muitos profissionais, não foi problema. “Sempre me preparei para o clube estruturado. Sabia transitar em todos os departamentos, discutir com todos eles, sempre pensando na evolução dos atletas.”

No Corinthians, o resultado foi levar a equipe sub-15 a uma final do Campeonato Paulista, algo que o clube não vivia há dez anos. No Nacional de Muriaé, o ponto de virada chegou na estreia, fora de casa, diante do América/MG. “Foi um jogo marcante. Era nossa estreia, contra uma grande equipe e fora de casa. A vitória deu confiança para os atletas acreditarem no trabalho que estava sendo desenvolvido.”

A partir dali, o objetivo de manutenção foi rapidamente superado. “Hoje já podemos olhar pra trás e lamentar alguns pontos perdidos, mas também podemos enaltecer alguns resultados em cima de grandes adversários”, resume Adriano, com a ponderação de quem avalia o trabalho sem exagero.

O que sustenta a campanha, na visão do treinador, é o trabalho diário e a competitividade estimulada em treino. “Um dos elementos base na nossa preparação é a competitividade. Se você quer uma equipe competitiva, o treinador precisa encontrar meios de estimular isso diariamente. Como sempre falo, a rotina vira hábito.”

A gestão de um grupo sub-20 tem complexidade própria. Adriano lida com atletas nascidos em anos diferentes, com até três anos de diferença de maturidade dentro do mesmo elenco. A ferramenta que ele mais valoriza nesse contexto é a meritocracia. “O treinador precisa entender o momento de cada atleta, respeitar a individualidade. Quando o atleta entrega nas sessões de treino, ele tem que ser oportunizado.”

A formação que ele construiu ao longo dos anos sustenta essa capacidade de gerir ambientes distintos. Bacharel em Educação Física, especializado em Futebol pela Universidade Federal de Viçosa, com Licenças PRO da CBF Academy e da ATFA, Licenças A e B de ambas as entidades e a Licença A da CONMEBOL, obtida em Assunção, ele integra um grupo muito seleto no futebol brasileiro.

“O futebol, como todas as áreas, exige dedicação. Como o futebol hoje é globalizado, eu vejo minha formação como um grande diferencial. Com a Licença PRO você se encaixa num seleto grupo de treinadores. Alcançar o nível máximo da formação te deixa pronto e apto para assumir qualquer desafio”, afirma.

O passo seguinte na carreira está claro na cabeça de Adriano. “Meu objetivo é o futebol profissional de forma permanente. Acredito que já estou pronto e preparado para esse momento.” Para um jovem treinador que ainda está começando e sente o peso da distância dos grandes centros, o conselho é direto. “Esteja sempre preparado. O futebol é dinâmico e feito de oportunidades.”

Quem chegou a Muriaé dez dias antes da estreia, montou um time do zero e está brigando entre os primeiros colocados do Mineiro sub-20 sabe bem o que isso significa.

Deixe sua opinião

Loading...