Do projeto social no Sul ao Brasileiro Sub-17: Mathias Siqueira é aposta do Red Bull Bragantino

Mathias Siqueira Corrêa tem 16 anos, nasceu em Cachoeira do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, e começou a jogar futebol num projeto social chamado Botafogo, na sua própria cidade. Amanhã, às 15h, ele estará em campo pelo Red Bull Bragantino no Campeonato Brasileiro Sub-17, diante do Fortaleza, no CT do clube em Atibaia/SP. O salto entre esses dois pontos é a história que vale ser contada.
A trajetória de Mathias no futebol começou em 2018, no projeto Botafogo. Em 2019, o Gauchinho. Em 2021, o Juventude/RS, em Caxias do Sul. Em 2023, Novo Hamburgo. Em 2024, São José, de Porto Alegre. Em 2025, o Apafut, também em Caxias do Sul. Em 2026, o Caxias. Sete passagens em oito anos, todas dentro do Rio Grande do Sul, construindo um lateral-esquerdo que aprendeu o futebol na prática, clube a clube, sem estrutura de grande centro, sem vitrine fácil.
A virada veio no Gauchão Sub-17 de 2026. Mathias se destacou com assistências e atuações que chamaram a atenção do Red Bull Bragantino. O contrato de formação foi assinado em 29 de abril de 2026, com vigência até abril de 2029. Ele deixou o Sul, chegou a Atibaia e encontrou uma realidade completamente diferente de tudo que havia vivido até então.
“Clube com uma estrutura nível Europa. Me senti muito bem e muito feliz com a oportunidade e o passo dado”, afirma o atleta sobre o primeiro dia no Massa Bruta.

A adaptação está sendo feita dentro do alojamento do clube. A família permanece no Rio Grande do Sul. O contato acontece todos os dias, no final do dia e depois dos jogos. É a mesma equação que tantos atletas jovens enfrentam quando o futebol exige a separação antes da chegada.
“Muito difícil sair de onde eu saí, do interior do Rio Grande do Sul, para ir para o centro do Brasil, que é o eixo de São Paulo, que é uma vitrine do futebol”, resume Mathias, com a clareza de quem entende o peso da escolha que fez.
Na temporada atual, o lateral-esquerdo já participou de três jogos pelo Red Bull Bragantino no Paulistão sub-17, com duas partidas como titular e uma em que foi acionado no decorrer do jogo. Em dois desses jogos, o time não sofreu gols com ele em campo. Amanhã o desafio sobe de patamar: o Brasileiro sub-17 coloca o Massa Bruta diante do Fortaleza na terceira rodada da competição.
Os números ofensivos ainda estão em construção, mas o perfil que ele apresenta dentro de campo já tem identidade própria. “Sou um jogador técnico, com passadas largas, que gosta de apoiar muito nas jogadas de fundo, fazendo bons cruzamentos e gerando assistências para os companheiros”, descreve. A maturação física e a melhora técnica são os pontos que ele mesmo aponta como áreas de desenvolvimento.
O ídolo e referência de estudo na posição é o mesmo nome: Marcelo, o ex-lateral do Real Madrid, símbolo de um futebol ofensivo, criativo e de alto nível técnico pela esquerda. A identificação com o estilo do brasileiro que brilhou na Europa revela o tipo de jogador que Mathias quer se tornar.

A rotina dentro do clube combina academia pela manhã, treino no campo à tarde, janta, escola à noite, ceia e sono. O segundo ano do ensino médio corre em paralelo. A disciplina do dia a dia é o que sustenta tudo.
Daqui a cinco anos, Mathias se imagina disputando a Série A do Campeonato Brasileiro. O conselho que daria a um garoto de Cachoeira do Sul que sonha em seguir o mesmo caminho é direto. “Acredite nos seus sonhos, confie em Deus, trabalhe, que sempre tem alguém olhando.”
Alguém olhava. O Red Bull Bragantino viu. E amanhã, em Atibaia, o interior gaúcho chega ao Brasileiro.






