Raízes no futsal fortalecem iniciação do zagueiro Lucas Mattosinho no Sfera

O adversário do jogo de volta da segunda fase do Campeonato Paulista Sub-14 conhecia bem o camisa 3 do Sfera/SP. Lucas Mattosinho defendeu o Noroeste/SP em 2024 e 2025, disputou dois estaduais pelo clube, nas categorias sub-12 e sub-13, e saiu de lá com uma medida clara do nível exigido para chegar a clubes de maior relevância nacional.

No reencontro, o zagueiro de 14 anos marcou dois gols na vitória por 4 a 0. Até aqui, é a partida que ele aponta como a mais marcante da temporada.

Dois gols num jogo eliminatório saltam aos olhos quando quem marca é um defensor. O jogo de Lucas, porém, costuma começar bem mais atrás. Ele se descreve como um zagueiro técnico, com capacidade de criação, e lista o passe, o controle de bola e a marcação como pontos fortes. Na função, é quem dá início às jogadas, com passes, lançamentos e conduções que tiram a equipe da defesa.

A referência que ele escolheu na posição segue a mesma linha. Lucas acompanha e tenta absorver movimentos de Pau Cubarsí, zagueiro do Barcelona. Destro, com 1,77m e 67 kg, também pode atuar como volante, e aponta o cabeceio como o fundamento que mais precisa melhorar.

Em 2026, os números somam 20 jogos, três gols e uma assistência, divididos entre o Campeonato Paulista Sub-14 e o Sub-15. A experiência na categoria de cima deixou uma constatação que ele faz questão de registrar.

“Foi uma experiência positiva. Percebi que tenho condições de disputar com atletas mais velhos, fortes e intensos fisicamente”, conta.

Lucas atua tanto como zagueiro quanto como volante. Foto: Marcos Bezerra

Nem toda rodada deixou boa lembrança. O empate por 1 a 1 com o Pinda FC/SP, na segunda rodada da primeira fase do Sub-14, é o resultado que ele guarda como o que mais incomodou e o que mais o empurrou a evoluir. A campanha no estadual terminou nas oitavas de final, com a eliminação diante do Corinthians/SP.

A relação com o futebol começou em casa. Nascido em Bauru/SP e criado em Duartina/SP, Lucas acompanhava o pai, Gesner, nos jogos que ele disputava e nas idas aos estádios. Até hoje, é a principal referência dele dentro de campo, enquanto pai e mãe, Luciane, dividem o papel de exemplo fora dele.

Aos cinco anos, em 2017, Lucas entrou num projeto social em Duartina. Dois anos depois, passou numa peneira do Duartina FC/SP, onde ficou cinco anos entre o futsal e o campo e aprendeu os primeiros fundamentos. Em 2023, a trajetória passou também pelo Foguinho Esportes, de Bauru. A ponte para o Noroeste veio por indicação do treinador Guilherme Camargo, do Duartina, e foi lá, em 2024, que ele assinou o primeiro contrato.

Pelo Noroeste, conquistou a Alcans Cup Kids em 2025, com título sobre o Novorizontino/SP. É a conquista de maior significado para ele, pelo nível da competição. No mesmo ano, venceu a Santa Cup pelo Foguinho, e em algumas ocasiões recebeu prêmios de artilheiro e de melhor jogador da partida.

O Sfera chegou por indicação do Foguinho. Desde fevereiro de 2026, Lucas tem contrato de formação com o clube e vive alojado no CT. Do primeiro treino, guarda a felicidade e a ansiedade de vestir a nova camisa.

Lucas Mattosinho trocou casa da família pelo alojamento no Sfera. Foto: Marcos Bezerra

O dia começa às 6h. Das 7h às 12h40, ele está na escola, onde cursa o 9º ano e tem a matemática como matéria preferida. Às 13h chega ao CT, almoça e descansa por cerca de uma hora antes do auditório, com análises de jogos e plano de treino. Depois vem a academia, e às 15h30 começa o treino de campo. O jantar sai às 18h30, e às 19h há tutoria para os estudos.

Psicologia, nutrição, plano de saúde, suplementação, treinos de alto rendimento e psicopedagogos que acompanham o desempenho escolar são, na avaliação dele, o que o clube oferece de mais importante. Lucas segue as orientações do nutricionista, procura dormir cedo e considera sono e alimentação os hábitos essenciais para evoluir. Antes dos jogos, reza.

O preço dessa estrutura é a distância. Ele abre mão do conforto de casa e convive com a saudade da família e dos amigos, que encontra nos fins de semana de folga, sempre que possível.

“É difícil, mas já estou acostumado”, resume.

Kaká, o ídolo, é lembrado por ele como exemplo de pessoa e de atleta, a mesma combinação que Lucas diz querer deixar como marca. Daqui a cinco anos, se imagina jogando no exterior. Até lá, o caminho passa pela rotina que hoje ocupa a semana inteira, entre a escola, o auditório e o campo.

O menino que acompanhava o pai aos estádios agora reencontra a família quando a folga permite, e leva de Duartina para o CT do Sfera a mesma referência que o trouxe ao futebol.

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