Vida de supervisor: Eliezer Fabiano explica os desafios da função no futebol de base

Existe uma figura que chega antes dos atletas ao campo, resolve o que ninguém viu e ainda precisa garantir que tudo esteja em ordem quando o apito tocar. Eliezer Fabiano vive essa rotina no Atlético-GO, e o momento do clube ajuda a dar dimensão do que esse trabalho representa na prática.
O Dragão está na final do Campeonato Goiano Sub-15, onde briga pelo bicampeonato, e também na final do estadual sub-20. Na competição nacional, a base atleticana se classificou para a segunda fase do Campeonato Brasileiro Sub-20 após liderar o Grupo B na primeira fase, com cinco vitórias e duas derrotas em sete jogos. O próximo desafio será um clássico local contra o Goiás. É dentro desse cenário de grande demanda e de momentos decisivos que o trabalho de Eliezer ganha ainda mais importância.
A trajetória que o levou até Goiânia começou no futsal, ainda em Minas Gerais, e foi se desdobrando pelo futebol de campo ao longo dos anos. Formado em Educação Física pela Unicerp, em 2011, e pelo curso de bacharelado pela Unipam, em 2012, Eliezer construiu um currículo que passa por diferentes funções dentro do esporte, incluindo preparação física, coordenação esportiva e gestão pública como subsecretário de esportes em Patrocínio/MG.
A supervisão de futebol foi o caminho que consolidou sua identidade profissional. Antes do Atlético-GO, passou pelo Ituiutabana Futebol Clube e pelo Araguari Futebol Clube, ambos em Minas Gerais, pelo Novo Esporte Clube e pelo Rondoniense Social Clube, em Rondônia, onde viveu uma das experiências mais marcantes da carreira. Com o Rondoniense, conquistou o acesso à Série D e garantiu vagas na Copa do Brasil e na Copa Norte 2027.

A passagem por estados e realidades tão distintas moldou uma visão ampla sobre o que a função exige em diferentes contextos.
A função de supervisor não tem uma definição única no futebol brasileiro. A estrutura e a cultura organizacional de cada clube moldam o escopo do cargo, e as responsabilidades podem variar bastante de um ambiente para outro. No Atlético-GO, o trabalho de Eliezer passa por cinco frentes principais.
A logística de treinos e viagens é uma delas. Garantir que equipes cheguem no tempo certo, com o suporte necessário, exige planejamento antecipado e capacidade de resolver imprevistos sem que o grupo sinta o impacto. A documentação dos atletas é outra frente permanente, com atenção ao registro e à regularização que habilitam cada jogador a competir dentro das normas das federações.
No campo, Eliezer atua como ponto de referência durante as atividades, acompanhando o dia a dia e servindo como canal entre a comissão técnica e os atletas. “O supervisor precisa ter visão de conjunto. Não basta resolver o que está na sua frente”, afirma.
A programação de treinos e o fluxo de feedbacks com comissão técnica e atletas também integram sua rotina. É uma função que exige sensibilidade para transitar entre os diferentes perfis dentro de um grupo, mantendo a comunicação fluida em ambientes que operam sob pressão constante. O controle de avaliações fecha o ciclo, contribuindo para que o clube tenha um acompanhamento sistemático do desenvolvimento de cada atleta ao longo da temporada.
Para Eliezer, a soma dessas responsabilidades define o que significa estar à frente da supervisão em um clube de base estruturado. “O supervisor é o elo entre o planejamento e a execução. Quando esse elo funciona, o grupo trabalha com mais confiança”, diz ele.
O Atlético-GO vive uma das fases mais consistentes de sua base nos últimos anos, e o trabalho dos bastidores faz parte dessa construção.






