Destaque no Campeonato Paulista, Lucas Elias leva psicologia, metodologia e ambição ao Atlético Paulista/SP

Tem treinadores que chegam a um clube e esperam o ambiente se apresentar. Lucas Elias da Silva não é esse tipo. Aos 30 anos, nascido em São Roque/SP e formado inteiramente no futebol paulista, ele chegou ao Clube Atlético Paulista SAF para comandar o sub-15 e o sub-17 com método definido, comissão técnica estruturada e resultados que já colocam um clube de menos de dois anos de existência no radar do futebol de base do estado mais competitivo do país.

O sub-17 é líder do grupo e líder geral do Campeonato Paulista. O sub-15 aparece em segundo lugar na chave. Nessa trajetória, destaque para uma vitória imponente do time juvenil, em cima do São Paulo, em Cotia, por 3 a 1.

No Pré-Paulistão, o desempenho também foi relevante. As duas categorias avançaram para a fase eliminatória, e o sub-17 chegou à semifinal. Ao longo da competição, dois atletas já foram negociados.

“Sabíamos da dificuldade de enfrentar o São Paulo em Cotia. Para o clube, aumentou a visibilidade e mostrou nossos atletas. Para o grupo, foi muito bacana e muito comemorado. O vestiário estava em um nível muito alto de concentração e de realização de trabalho bem feito”, conta Lucas sobre um resultado que virou referência interna no clube.

Foto: Neto Bonvino
Foto: Neto Bonvino

Por trás desses números há uma trajetória construída com critério e sem atalhos. Graduado em Educação Física, pós-graduado em Psicologia do Esporte e com as licenças C, B e A da CBF Academy no currículo, Lucas chegou ao CAP com uma formação que poucos treinadores de base no futebol paulista conseguem apresentar. A cada etapa da carreira, buscou um ambiente que exigisse mais do que o anterior.

No RM Futsal e na Ronaldo Academy, o trabalho era com crianças de quatro a 14 anos, num universo lúdico de desenvolvimento motor e cognitivo. No CTFA, o primeiro contato com o alto rendimento e com a exigência de formar atletas para vencer.

No São Bento/SP, a estreia num Campeonato Paulista de base como treinador responsável pela categoria, onde aprendeu na prática como a competição funciona por dentro. No CAP, uma realidade nova: um clube sendo construído do zero, com alojamento, cobrança por resultado e mais de 60 atletas sob sua responsabilidade.

“Todos esses ambientes me fizeram evoluir como profissional e sou muito grato por cada passagem. Em comum, aprendi que a competitividade e o trabalho precisam ser nível excelência”, resume.

A decisão de buscar a Psicologia do Esporte como especialização não foi coincidência. Lucas observou uma mudança clara no perfil dos atletas jovens e reagiu com estudo. “A juventude de hoje é mais frágil e lida de maneira diferente dos atletas de antigamente. Tecnologia, redes sociais, tudo tem influência sobre esses garotos.”

Para ele, entender leitura facial, leitura corporal e os sentimentos que o atleta demonstra no erro, no acerto, na derrota e na vitória é o que define qual estímulo aplicar em cada momento. Gerir 60 atletas com sonhos, histórias e fragilidades diferentes, mantendo o grupo coeso e competitivo, é o que considera o maior desafio do cargo.

Foto: Jhonatan Campanucci
Foto: Jhonatan Campanucci

A comissão que o acompanha inclui James Cerriali na preparação física, Jaci Filho, o Carbô, como auxiliar; Luiz Guilherme Leite como preparador de goleiros; Kerolyn de Paula como fisioterapeuta; e Leonardo Verissimo na análise de desempenho.

Dentro de campo, a metodologia tem pilares claros: construção de jogo, superioridade numérica, manutenção da posse, jogo de aproximação e ataque ao espaço. A forma de transmitir esses conceitos a atletas de 15 e 17 anos é deliberadamente direta. “Gostamos de facilitar o jogo para o atleta. Utilizo frases curtas para transmitir a mensagem. O mais importante é a qualidade de informação que esse atleta recebe diariamente para ter argumentos quando o jogo se mostrar um problema para ele resolver.”

A estrutura que o CAP oferece para sustentar o trabalho inclui mais de três campos de treinamento, GPS, drone, alojamento sem custo para os atletas e suplementação. O presidente Juliano Amorim tem como meta tornar o clube cidade-sede da Copinha, lançar o sub-20 em breve e iniciar as categorias de sub-11 a sub-14 em seguida.

Para Lucas, o caminho que está sendo construído no CAP tem o peso de uma confirmação. Os títulos municipais sub-13 e sub-15 em Sorocaba, conquistados no início da carreira, foram os primeiros sinais de que a direção estava certa. “Um momento especial para confirmar a intenção de viver do futebol, buscar mais conhecimento e desafios ainda maiores.”

O conselho que daria a um jovem treinador que está começando é o mesmo que ele seguiu. “Estudar, fazer as licenças da CBF e, acima de tudo, buscar vivenciar os treinamentos, o dia a dia de uma comissão técnica, para aprender e então acreditar em uma metodologia.”

Aos 30 anos, Lucas Elias ainda está no início. Mas o clube que ele comanda já lidera. E no futebol paulista de base, onde todo mundo quer estar, isso não é pouca coisa.

Foto: Neto Bonvino
Foto: Neto Bonvino

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